Hoje, 19 de março, é comemorado o dia do Artesão em homenagem a São José, o pai de criação do nazareno e o padroeiro da categoria. E o Soprador de Vidro é um artesão. Alguém que trabalha com as mãos. É um profissional artesão que poucos conhecem mas que tem ganhado destaque nas redes sociais atualmente.
O Soprador de Vidro
Bodão
O Soprador de Vidro também molda o vidro de outras formas além de utilizar o sopro e é uma atividade muito importante até hoje. Dentre várias atividades do Soprador de Vidro são algumas: sopro e moldes de vidros e cristais para fazer objetos decorativos e utensílios domésticos, também confeccionam objetos para utilização em laboratórios, tais como pipetas, tubos de ensaios, termômetros e outros instrumentos, além da moldagem de vidro óptico, utilizados para a confecção de lentes para óculos, binóculos, telescópios ou outros equipamentos óptico-científicos similares.
Atualmente os sopradores de vidro estão ganhando atenção nas redes sociais fabricando acessórios de tabacaria, como bongs, pipes(cachimbos), piteiras e vários outros. Essas peças que atualmente, no Brasil, estão sendo fabricadas com vidros importados e técnicas especias chamam a atenção tanto pela qualidade como bela beleza hipnotizante das peças.
Quando comecei a me interessar pelo vidro soprado também iniciei pesquisas de materiais. E na descrição dos produtos sempre tinha essas letras (COE) acompanhada de alguns números. Mas o que é, e para que serve esse COE 104, COE 90, COE33, etc…?
COE ou coeficiente de expansão térmica é a capacidade de um material expandir quando aquecido.
Quando duas peças de vidro são fundidas, é recomendado que cada peça compartilhe o mesmo ou aproximando coeficiente de expansão (COE). O vidro se expande quando é aquecido, mas não se expande na mesma quantidade. O COE é uma medida da taxa na qual um pedaço específico de vidro se expande. Se duas peças de vidro com COE diferentes são fundidas, a peça de vidro fundido resultante vai rachar enquanto esfria.
Com essa informação a cima, imagine uma situação em que misturou-se os dois tipos de vidros (COE 33 e COE 90) em uma temperatura de 900°C. Enquanto os vidros estiverem acima de 821°C estarão em estado líquido (derretido). Conforme for diminuindo a temperatura da massa, os dois tipos de vidros, com COE distintos, vão se contraindo. E quando a temperatura for menor que 821°C o vidro com COE 33 já estará no estado sólido e o COE 90 ainda estará no estado liquido(fundido). O resultado é aquele som que desespera qualquer profissional vidreiro. O som do vidro trincando…
Como saber se os materiais são compatíveis
Com essas informações sobre COE como faço para saber se meus materiais são compatíveis? A resposta é simples: TESTE.
Quando encontro algum material que ainda não trabalhei, ou que não tenho suas especificações técnicas, só o teste na bancada resolve.
O teste consiste em pegar amostras pequenas dos materiais que vão ser usados, fundo os materiais na chama do maçarico e misturo . Em seguida dou uma leve esticada e espero a temperatura da massa reduzir. Se não curvar ou trincar e porque os materiais são compatíveis se curvar ou trincar e porque não vai rolar rsrsrs…
No vídeo abaixo Lucian Libby mostra como o teste é feito.
Bob Snodgrass é um Norte Americano lampworker conhecido pro suas contribuições para a arte do vidro e pipe-making . Ele começou trabalhando nas suas técnicas enquanto acompanhava a Banda Grateful Dead em turnê durante as décadas de 70 e 80.
Em 1981, o sopro de vidro tornou-se a principal renda de Snodgrass. Ele e sua família começaram a viajar nos Estados Unidos, vendendo seu trabalho nos mercados de arte até 1990, quando se estabeleceram em Eugene, Oregon. E lá mesmo em Eugene Oregon ele fundou a Eugene Glass School. Acredita-se que Snodgrass tenha inventado (por acidente, ele diz) o vidro que muda de cor. Um tipo de vidro de borossilicato misturado com ouro, prata, platina ou qualquer combinação que mude de cor (fumed glass) à medida que a resina escura do fumo se acumula no interior do vidro.
Arte Degenerada
Degenerate Art é um documentário de 2011 dos artistas norte americanos Aaron Golbert e Marble Slinger sobre a arte e a cultura associadas aos cachimbos de vidro usados para fumar cannabis. Seu título faz referência à expressão “Degenerate Art” (Arte Degenerada) , uma invenção usada para denegrir a arte moderna durante o regime nazista. O filme foi apresentado no SXSW Festival em Austin, Texas, em 2012. Este documentário segue a história da cultura de fabricação de pipes de vidro e a tremenda influência de Bob Snodgrass.
Legado
Bob Snodgrass
O legado de Bob Snodgrass é imenso e indiscutível. Suas descobertas, atitudes e estilo de vida são exemplos que seguem encrustados em tudo que é relacionado ao universo pipe-maker. Por isso ele é chamado de “Godfather of glass” (poderoso chefão do vidro, ou padrinho do vidro).
Os vidros estão no nosso cotidiano em vários modos. Nossas janelas, lâmpadas, sistemas de aquecimento solar, geladeiras, utensílios de mesa, decoração, acessórios de tabacaria, etc.
Pureza, assepsia, transparência, versatilidade e impermeabilidade são outras características que favorecem o uso do vidro. A tecnologia desenvolvida e aplicada ao vidro permitiu que ele adquirisse novas vantagens em relação a outros materiais.
Mas a arte de manipulação do vidro ainda é considerada uma arte negra devido aos enormes desafios no seu processo que ainda hoje são desconhecidos.
História
O vidro começou a ser empregado pelo homem desde a pré-história há cerca de 75.000 anos. O material empregado se constituía de um vidro natural, existente na natureza como mineral, e era empregado por uma característica que muitas vezes atribuímos como defeito que é o seu poder de corte.
Este mineral denomina-se obsidiana e era esculpido para produzir ferramentas e armas com grande capacidade de corte. Nesse período o homem ainda não dominava os metais.
Descoberta do Vidro
Diz a lenda que naquela época mercadores atravessavam a região do oriente médio com uma carga de natrão. O natrão é um mineral constituído de carbonato de sódio, e mais adiante vamos ver que é uma das matérias-primas empregadas na elaboração de vidro. O natrão era empregado por suas características antissépticas nas mumificações. Estes mercadores pararam para montar o acampamento durante a noite e se viram com dificuldade de encontrar onde apoiar a panela para cozinhar o jantar. A solução encontrada foi de empregar pedaços do natrão que transportavam, sobre a areia do deserto. A união do calor do fogo com as principais matérias primas produtoras de vidro fez surgir um material viscoso que escorreu e ao esfriar assumiu um aspecto brilhante que encantou aos mercadores. Estava descoberto como fazer vidro. A figura abaixo representa a descoberta.
Grupo de mercadores observando o material viscoso que esquentou escorreu e secou formando assim o vidro.
Primeiras Utilidades do Vidro
Embalagens de Vidro no Egito
Somente por volta de 1500 AC, no Egito, foi que se iniciou o emprego do vidro em artigos utilitários. Principalmente na forma de embalagens. Os primeiros mil anos após a descoberta de como elaborar vidro este só foi empregado com finalidade estética. Para fazer essas primeiras embalagens o vidreiro colocava uma porção de argila que viria a se constituir a parte interna da embalagem. Em seguida mergulhava este núcleo em uma panela cerâmica onde estava o vidro fundido. O vidro se esfriava assumindo a forma do núcleo de argila que depois era retirado permanecendo a embalagem de vidro.
Descoberta do sopro
Há mais de 2000 anos na Síria uma descoberta foi fundamental para grande disseminação do vidro. Recolhia-se uma massa de vidro fundido na ponta de um tubo metálico denominado “cana” e soprava-se uma bolha no seu interior para constituir a parte oca de um artigo de vidro. Assim começaram a se produzir embalagens com menor custo e maior produtividade, tornando-o acessível aos cidadãos comuns. Desde então surge o vidro soprado.
Outro dia numa conversa informal com amigos surgiu a dúvida sobre o cristal. O que tem de especial numa taça de cristal e uma taça de vidro comum?
Não consegui responder na hora mais já sabia que o segredo estava na receita no momento de confecção do vidro. Então fui para o google(rsrsrs…) e encontrei uma matéria da Super Interessante.
Nesta matéria, Oscar Peitl Filho, que é professor de engenharia de materiais da Universidade Federal de São Carlos, afirma que a diferença está nos elementos químicos que compõem essa estrutura.
Também é necessário fazer a diferenciação entre o chamado vidro cristal que é o material utilizado para a fabricação de lustres, taças e copos mais refinados e o cristal propriamente dito que é aquele tipo de mineral encontrado na natureza que abrange tanto o diamante quanto o quartzo.
“O vidro cristal e o vidro comum têm uma estrutura molecular de desenho praticamente idêntico: a diferença está nos elementos químicos que compõem essa estrutura”
De acordo com Oscar Peitl Filho, o vidro comum, que é conhecido no meio dos vidreiros como vidro de cal-soda ou soda-cal, é feito de areia (sílica), soda (óxido de sódio), cal (óxido de cálcio) e óxido de alumínio.
Vidro Soprado
Já na composição do vidro cristal entram apenas a sílica e o óxido do chumbo, substância que dá mais brilho e maior peso ao produto.
A série a que eu assisti mais rapidamente!!! rsrsrsrs…
Nós já havíamos comentado sobre essa série aqui antes do seu lançamento. Agora voltamos a comentar sobre ela para deixar nossas impressões.
São dez mestres artesãos em uma competição de esculturas de vidro. O campeão receberá 60 mil dólares em prêmios.
Esta série é empolgante principalmente para os amantes do vidro. Não recomendada para menores de 10 anos a série Vidrados está disponível na Netflix em qualidade Ultra HD / 4K.
A Netflix construiu a maior estrutura para sopro de vidro da América do Norte para a série. São 10 estações de trabalho, 10 fornos de reaquecimento e dois fornos de fusão. Coisa bonita de ser vista.
Vidrados
Especialistas do Craft and Design Glass Studio no Sheridan College de Toronto deram recomendações aos produtores da série sobre a construção do galpão. O estúdio também vai aconselhar os concorrentes ao longo dos nove primeiros episódios do programa tendo a Janet Morrison, presidente da faculdade, como juíza de um episódio.
Representando o Corning Museum of Glass, Eric Meek, Gerente Sênior de Programas de Vidros Quentes do Museu, será o avaliador convidado da final da temporada junto com o apresentador Nick Uhas e a avaliadora residente Katherine Gray.
Como dito no primeiro parágrafo deste artigo, assisti a essa série muito rapidamente. Vale lembrar que cada episódio dura, em tempo real, uma média de 6 horas, que são resumidas para 20 minutos, o que pode deixar os Sopradores de Vidro espectadores querendo saber mais detalhes dos feitos realizados. Mas os principais detalhes são mostrados em cada episódio. Muito parecido com os programas de culinária já consagrados pelo público em geral.