Degenerate Art - Capa

Degenerate Art (2011)

Se você fuma em pipes, bongs e piteiras de vidro, Degenerate Arte de Marble Slinger tem que está na sua lista de filmes

Degenerate Art: The Art and Culture of Glass Pipes é um documentário de 2011 do pipe-maker norte-americano Aaron Golbert, conhecido como Marble Slinger, sobre a arte e a cultura associadas aos cachimbos de vidro usados para fumar cannabis. Seu título faz referência à expressão alemã Degenerate Art, uma expressão usada para denegrir a arte moderna durante o regime nazista. O filme foi apresentado no SXSW Festival em Austin, Texas, em 2012. Este documentário segue a história da cultura de fabricação de pipes de vidro e a tremenda influência de Bob Snodgrass.

Degenerate Art: The Art and Culture of Glass Pipes” é um maravilhoso ponto de vista do que se passa no universo dos pipemakers. Como o diretor, Marble Slinger, é artesão e vive esse mundo conseguiu repassar a história, a indústria e os artesãos. Este filme é sobre a arte mas deve-se observar o fato de que a indústria na época do filme era cercada por leis arcaicas sobre drogas que deixam os tubos no mundo underground e até ilegal em alguns casos.

O começo

O Poderoso Chefão desse movimento é Bob Snodgrass. Um soprador de vidro hippie que sem querer decobriu uma técnica que deixava suas peças mudando de cor após o uso repetido. Os tubos de Bob rapidamente se tornaram um sucesso no estacionamento dos shows do Grateful Dead. Bob começou a atrair aprendizes e assim, uma geração inovadora de pipemakers nasceu em Eugene, Oregon.

À medida que as técnicas e os materiais foram se diversificando, os projetos se tornaram mais complexos. A marca psicodélica e mística de um simples cachimbo de vidro começou a florescer em algo mais parecido com o Art Nouveau. É claro que regiões diferentes começaram a desenvolver seus próprios estilos, muitos dos quais evitavam completamente suas raízes hippies.

Repressão

Com o aumento da popularidade das peças de vidro veio também a repressão. Esta veio com uma tentativa do procurador-geral John Ashcroft de estender a guerra às drogas para a Internet. Em 2003, armados com uma definição convenientemente vaga do que constitui legalmente “parafernália para drogas”, a Operations Headhunter and Pipe Dreams gerou enormes apreensões de fabricantes e distribuidores. Mercadorias e bens foram apreendidos, empresas foram afundadas, multas foram aplicadas e pessoas (incluindo Tommy Chong!) foram para a prisão federal. Todos sob a premissa de que vender cachimbos equivalia ao tráfico de drogas.

Pipemaker é Artista?

O segundo conflito do filme é a ambivalência dos próprios artistas de vidro em relação ao cachimbo como sujeito; alguns estão perfeitamente felizes por criar um objeto funcional, enquanto outros desejam trabalhar em obras de arte que não sejam de vidro. Muitos parecem encontrar um equilíbrio pagando as contas com canos, mas fazem outros trabalhos em vidro no seu tempo livre. As atitudes dos artistas de vidro que não fabricam cachimbos são igualmente variadas, com um perguntando em voz alta: “Por que tem que ser um cachimbo?” depois reconhecendo que sua aversão pode ser esnobe. Como todos os artistas de vidro não fabricantes de tubos entrevistados, ele nunca negaria a arte e a inovação que vê em tantos tubos.

Enfim, sendo usuário ou não de pipes, bongs, piteiras, e afins é indiscutível a beleza das peças fabricadas por esses monstros do universo pipemakers. Relevante também é a inspiração destes nas expressões da cultura canábica em outros locais do planeta.

Aqui no Brasil também tem um movimento crescente e você pode saber mais nessa matéria da SmokeBuddies.