Peças de vidro

Coeficiente de Expansão do Vidro (COE)

Quando comecei a me interessar pelo vidro soprado também iniciei pesquisas de materiais. E na descrição dos produtos sempre tinha essas letras (COE) acompanhada de alguns números. Mas o que é, e para que serve esse COE 104, COE 90, COE33, etc…?

COE ou coeficiente de expansão térmica é a capacidade de um material expandir quando aquecido.

Quando duas peças de vidro são fundidas, é recomendado que cada peça compartilhe o mesmo ou aproximando coeficiente de expansão (COE). O vidro se expande quando é aquecido, mas não se expande na mesma quantidade. O COE é uma medida da taxa na qual um pedaço específico de vidro se expande. Se duas peças de vidro com COE diferentes são fundidas, a peça de vidro fundido resultante vai rachar enquanto esfria.

O vidro borossilicato tem um coeficiente de dilatação de cerca de 3,2 contra 8,6 do vidro comum. O vidro borossilicato começa a amolecer cerca dos 821 °C e o vidro comum amolece a 550 °C.

Com essa informação a cima, imagine uma situação em que misturou-se os dois tipos de vidros (COE 33 e COE 90) em uma temperatura de 900°C. Enquanto os vidros estiverem acima de 821°C estarão em estado líquido (derretido). Conforme for diminuindo a temperatura da massa, os dois tipos de vidros, com COE distintos, vão se contraindo. E quando a temperatura for menor que 821°C o vidro com COE 33 já estará no estado sólido e o COE 90 ainda estará no estado liquido(fundido). O resultado é aquele som que desespera qualquer profissional vidreiro. O som do vidro trincando…

Como saber se os materiais são compatíveis

Com essas informações sobre COE como faço para saber se meus materiais são compatíveis? A resposta é simples: TESTE.

Quando encontro algum material que ainda não trabalhei, ou que não tenho suas especificações técnicas, só o teste na bancada resolve.

O teste consiste em pegar amostras pequenas dos materiais que vão ser usados, fundo os materiais na chama do maçarico e misturo . Em seguida dou uma leve esticada e espero a temperatura da massa reduzir. Se não curvar ou trincar e porque os materiais são compatíveis se curvar ou trincar e porque não vai rolar rsrsrs…

No vídeo abaixo Lucian Libby mostra como o teste é feito.

Degenerate Art - Capa

Degenerate Art (2011)

Se você fuma em pipes, bongs e piteiras de vidro, Degenerate Arte de Marble Slinger tem que está na sua lista de filmes

Degenerate Art: The Art and Culture of Glass Pipes é um documentário de 2011 do pipe-maker norte-americano Aaron Golbert, conhecido como Marble Slinger, sobre a arte e a cultura associadas aos cachimbos de vidro usados para fumar cannabis. Seu título faz referência à expressão alemã Degenerate Art, uma expressão usada para denegrir a arte moderna durante o regime nazista. O filme foi apresentado no SXSW Festival em Austin, Texas, em 2012. Este documentário segue a história da cultura de fabricação de pipes de vidro e a tremenda influência de Bob Snodgrass.

Degenerate Art: The Art and Culture of Glass Pipes” é um maravilhoso ponto de vista do que se passa no universo dos pipemakers. Como o diretor, Marble Slinger, é artesão e vive esse mundo conseguiu repassar a história, a indústria e os artesãos. Este filme é sobre a arte mas deve-se observar o fato de que a indústria na época do filme era cercada por leis arcaicas sobre drogas que deixam os tubos no mundo underground e até ilegal em alguns casos.

O começo

O Poderoso Chefão desse movimento é Bob Snodgrass. Um soprador de vidro hippie que sem querer decobriu uma técnica que deixava suas peças mudando de cor após o uso repetido. Os tubos de Bob rapidamente se tornaram um sucesso no estacionamento dos shows do Grateful Dead. Bob começou a atrair aprendizes e assim, uma geração inovadora de pipemakers nasceu em Eugene, Oregon.

À medida que as técnicas e os materiais foram se diversificando, os projetos se tornaram mais complexos. A marca psicodélica e mística de um simples cachimbo de vidro começou a florescer em algo mais parecido com o Art Nouveau. É claro que regiões diferentes começaram a desenvolver seus próprios estilos, muitos dos quais evitavam completamente suas raízes hippies.

Repressão

Com o aumento da popularidade das peças de vidro veio também a repressão. Esta veio com uma tentativa do procurador-geral John Ashcroft de estender a guerra às drogas para a Internet. Em 2003, armados com uma definição convenientemente vaga do que constitui legalmente “parafernália para drogas”, a Operations Headhunter and Pipe Dreams gerou enormes apreensões de fabricantes e distribuidores. Mercadorias e bens foram apreendidos, empresas foram afundadas, multas foram aplicadas e pessoas (incluindo Tommy Chong!) foram para a prisão federal. Todos sob a premissa de que vender cachimbos equivalia ao tráfico de drogas.

Pipemaker é Artista?

O segundo conflito do filme é a ambivalência dos próprios artistas de vidro em relação ao cachimbo como sujeito; alguns estão perfeitamente felizes por criar um objeto funcional, enquanto outros desejam trabalhar em obras de arte que não sejam de vidro. Muitos parecem encontrar um equilíbrio pagando as contas com canos, mas fazem outros trabalhos em vidro no seu tempo livre. As atitudes dos artistas de vidro que não fabricam cachimbos são igualmente variadas, com um perguntando em voz alta: “Por que tem que ser um cachimbo?” depois reconhecendo que sua aversão pode ser esnobe. Como todos os artistas de vidro não fabricantes de tubos entrevistados, ele nunca negaria a arte e a inovação que vê em tantos tubos.

Enfim, sendo usuário ou não de pipes, bongs, piteiras, e afins é indiscutível a beleza das peças fabricadas por esses monstros do universo pipemakers. Relevante também é a inspiração destes nas expressões da cultura canábica em outros locais do planeta.

Aqui no Brasil também tem um movimento crescente e você pode saber mais nessa matéria da SmokeBuddies.